domingo, 14 de abril de 2013

Projeto #camadecasal

     Quando a gente está fazendo muitas coisas, e quer continuar fazendo, o ideal é conseguir unir esses fazeres.

          Por isso criei o Projeto #camadecasal que são nanocontos descritivos passados no mesmo espaço (uma cama de casal, "por supuesto"). É só usar #camadecasal no twitter e descrever uma cama de casal. Depois se usa uma segunda hashtag para servir como título. Pode ser citado o @onomondi para que eu possa juntar isso

Já estão sendo preparados vídeos de 6 segundos com o mesmo tema. O projeto é um trabalho de escrita criativa e é também preparatório para o primeiro Balbúrdia de 2013 (Espaço)

Quem quiser escrever o seu (e quem sabe ver sua ideia sendo gravada em vídeo) pode dar uma olhada nas dicas e pseudo-regras abaixo.

     
@onomondi #camadecasal. Espaço. Homem. Mulher. Espaço. #casalnovo
ou
#camadecasal. Homem. Espaço. Espaço. Mulher. #brigadecasal @onomondi

    
   Como o primeiro Balbúrdia será sobre o Espaço, há um trabalho de espaço textual. No exemplo acima a palavra espaço surgiu para criar uma visualização, mas poderia ter sido assim

@onomondi #camadecasal. ____.Homem. Mulher._____  #casalnovo   
ou
@onomondi #camadecasal. Homem._____. ______. Mulher.#brigadecasal

   Inicialmente quis colocar essas regras para deixar mais divertido (ou não). Relembrando:

1. Utilizar descrição. (ou seja, abuse de substantivos, evite verbos);
2. Que se pense a posição textual indicando a posição na cama (como nos exemplos, pode-se pensar que no #brigadecasal o homem está na esquerda, há um grande espaço no meio entre os dois e a mulher está na direita da cama);
3. Mencionar @onomondi (não é totalmente necessário, pois vou procurar pela hashtag)


   Já estão no forno novas temporadas: #camadehospital #camadesolteiro #camadehotel 
   e novas séries. 


sábado, 13 de outubro de 2012

Caminhadas


Tomou a mão do filho. Primeira vez que iria com ele ao colégio. Depois de um mês desempregado e sem perspectivas, a mulher decidiu que ele poderia ajudar mais em casa e com o filho.
Tomou o filho pela mão. Caminharam pelas quatro quadras até chegar à escola. Percebeu nesse momento o que já havíamos dito: era a primeira vez que iria com o filho até o colégio dele. O guri estava quase no fim da primeira série. O pai nem conhecia a escola ainda.
Quando o guri fez uma pergunta ao pai, que pensava absorto, e depois quando repetiu mais alto e o puxou pela mão, o pai olhou para a criança. Uma estranha sensação, um desconhecimento. Em outro momento de vida, teve esse desconhecimento ao se olhar no espelho. Aquele momento que todos nós temos, de ver nosso reflexo no espelho e não conhecer a pessoa, não reconhecer a pessoa, não perceber que somos nós que estamos lá dentro. Dessa vez, sem espelho, tinha o filho ali. Surgido dele, por ele. Mas quem era ele (quem era o filho, quem era ele próprio?).
Segundos ou milésimos de segundos depois do estranhamento, a revelação. A revelação não vem formulada em frase ou resposta. A revelação não vem em imagem. Ela vem num todo, completo, num inexplicável conhecimento que transforma o já sabido e tudo que se virá saber.
O portão da escola logo ali. O pai sentia vontade de não largar a mão do filho. Pela mão, tomava o filho, tomava a vida do filho e a sua própria. Como largar-se no exato instante em que tudo faz sentido.
Um pouco a frente do portão da escola, um homem grisalho, mas não muito velho. E sem que o pai percebesse o filho lhe largou a mão e cumprimentou o senhor dizendo: “ó, meu pai”. O senhor sorriu para o pai, que ainda sentindo a falta da mão sorriu de volta.
O guri entrou, o pai ficou na porta por cinco minutos, até todos entrarem. O guri já tinha desaparecido dentro da escola havia muito. “Primeira vez aqui né?” o pai assustado olha para o porteiro e responde, “sim, primeira”. “Ele está bem aqui, cuidamos muito bem deles”. O pai sorriu, realmente acreditando. “Vem, vamos dar uma olhada na escola”. O pai seguiu o porteiro, sem saber o motivo de ter seguido. O porteiro foi mostrando as dependências físicas, comentando sobre atividades, sobre professores e professoras, sobre a direção, chegou a apresentar a responsável pela merenda. Entre uma coisa e outra, ele dizia ao pai sobre como foi importante aquela escola na vida dele. Não havia estudado ali, e sim seus filhos. Um deles agora era professor na escola, trabalhavam juntos. "Eu acompanhei um grande número de professores, de crianças. Alguns a gente sabe por onde anda, marcaram a vida da gente. O corretor de imóveis de quem comprei, finalmente, a minha casa própria foi aluno aqui e eu vi crescer”. O pai olhou, nesse exato momento para o porteiro e este, percebendo o susto disse, “sim, eles crescem, vão embora e a gente vai junto, mas sem ir, o senhor entende?” O pai fez que sim com a cabeça.
Ao sair pelo portão, o pai olhou para o senhor, e disse: “obrigado pelo tour, professor”, e o senhor respondeu “sou só o porteiro”, e o pai completou “sim, obrigado professor”.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Versões para música Portos

     Explicando rapidamente. Quando nosso grande amigo Oscar Amarante (o Bubble) faleceu, quisemos fazer uma homenagem. Por isso nós,  os ex-companheiros de Azul Revés, decidimos tocar uma canção na despedida. Escolhemos a música Portos por ter uma letra que fala de partida prematura, quando o eu-lírico diz que se um dia o corpo resolver ficar, ele vai seguir.
     Na hora todo mundo cantou junto, e chorou junto logo depois. Era uma música (no disco) com uma forte influencia do baixo, logo no início. A música começava com o Oscar e ficou marcada por ele. Depois desse dia, fiquei muito tempo sem tocá-la, e quando finalmente voltei a tocar, troquei partes da letra e ritmo.
     Esse ano, gravei essa versão (mais calma, a litorânea) e logo depois fiz uma outra versão mais bruta, onde cada instrumento foi tocado uma vez só. Chamei essa versão de versão pampeana.
     Abaixo link para essas duas versões e a letra (da versão antiga).
     Essa música eu compus quando eu tinha 17 anos.

http://soundcloud.com/onomondi/portos-litoral

http://soundcloud.com/onomondi/portos-pampa



PORTOS
Guardo segredos que guardo comigo
Viajo estradas sem caminho certo
Espero chegar a um lugar conhecido
Me afastando de tudo que conheço.

Não sei se o que faço faz sentido
Mas faço por sentir ser o que sinto
Não presto atenção ao que é convencionado
Certo ou errado, sigo meu caminho.

Liberto de agonias e com a alma limpa
Desperto para a vida por todos meus passos
E ao desprezar o que realmente não faz sentido
Escolho os caminhos de olhos fechados.

Se um dia meu corpo parar em algum lugar
E sentir que deveria andar mais
Deixarei meu corpo descansar em paz
E seguirei meu caminho, como sempre fiz.


Onomondi - Cantiga de ninar nº 5

Aí está a primeira canção e o primeiro videoclipe do Onomondi. Todo o processo foi feito de forma individual (menos os atores do vídeo, claro). Nos próximos dias mais dois arquivos de áudio virão à superfície da nuvem internética. Uma prévia do álbum que está sendo preparado.
Composição (letra e música), execução dos instrumentos, gravação e edição do áudio  gravação e edição do vídeo por ONOMONDI.

Vídeo realizado para exibição no Balbúrdia do dia 28/9/2012, na UNIPAMPA Campus Jaguarão.


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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

15 anos de gravação do Caminho in verso. Dia 5



No último dia gravamos os vocais de algumas músicas. Foi um dia cansativo e tenso, pois percebemos que não poderíamos estar junto na mixagem, não teríamos tempo (na verdade acabamos as gravações no meio ou fim de tarde, mas não daria tempo de mixar). Como a gente queria pressa em lançar o cd (gurizada boba) e não tínhamos dinheiro para voltar e acompanhar a mixagem, acabamos não fazendo parte dela, o que foi um grande erro.
A maioria dos vocais eu gravei no escuro. A sala de gravação era bem grande, então eu pedi para apagarem a luz. Eu via os guris lá do outro lado do vidro, mas eles não me viam. Foi uma estratégia para ficar mais livre e tranquilo. Claro, que quando gravava vocal a tarde isso não adiantava, mas não foi um problema. Depois o Marcião dizia que eu era mentiroso, pois na música La banda y la orquestra eu dizia que tinha medo de escuro, mas não tinha.
               Chegamos a pensar numa musiquinha engraçadinha com os bordões que criamos durante os dias de estúdio (um deles era do Marcião com voz bem grave e alta dizendo “e aí MEU!”). A música tinha a letra mais ou menos assim: “e aí meu, e aí meu e aí meu!” Na verdade era bem assim mesmo. Seria uma música escondida, mas acabamos não gravando (eu tinha esquecido completamente dessa história, acabei de lembrar, inclusive da melodia).
               Acho que gravei Azules Revés nesse dia também (a voz) pois a letra eu fui terminando no estúdio, não estava completa (lembrando que essa canção começou a ser composta no primeiro dia de ensaio da banda).
               Por fim, a última música a ficar pronta foi mesmo O caminho inverso quando eu e o Charly colocamos quatro vocais cada um na parte final.
               Terminamos esses 5 dias exaustos. No sábado as 4 da manhã acordamos para viajar de volta a Rio Grande, chegamos, ficamos algumas horas na cidade e partimos para Pedro Osório fazer um show (tocando covers). Esse show foi o restinho de dinheiro que precisávamos para pagar os custos da gravação. Antes do show, ainda em Rio Grande, nossos familiares nos perguntavam se havia acontecido alguma coisa errada, pois a gente estava tão cansado que parecíamos tristes. Antes do show a gente só ficava deitado na sala do pessoal que nos contratou. Eles até se assustaram se a gente ia conseguir, de tão cansados. Mas conseguimos. Quando entramos no palco fizemos um bom show, e o Charly ainda teve disposição de chutar uma enorme bola de plástico na cabeça de uma guria na plateia. Mas isso já é uma outra história.

Abaixo link para vídeo da banda tocando Minhas Canções ao vivo na FEARG em 2008.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

15 anos da gravação do Caminho in verso. Dia 4

No dia 25 de setembro de 1997 gravamos alguns vocais, teclados, violões e guitarras.

     Nesse quarto dia gravei os teclados de Pra quem chegar. Gravei com um teclado korg e com o meu roland. Nós tínhamos dois técnicos de som, um ficava durante o dia e o outro a noite. O do dia era bem cri-cri (segundo ele) e o outro mais relax. O dia era guitarrista, por isso as guitarras eram gravadas com ele. 
    
    Como eu havia dito antes, Pra quem chegar era uma das músicas que eu achei que não iríamos conseguir aprontar ou deixar boa pra colocar no cd. Mas aos poucos ela foi se transformando. Quando o Patrício (o técnico do dia) ouviu os violões que o Charly havia gravado a noite achou que a gente tivesse um violão de nylon, por causa do som. Na verdade a única diferença é que nessa o Charly usou os dedos e não palheta. 
      
      Eu gravei o solo dessa música (no final) com o piano do korg (um timbre muito bonito, por sinal) e usei uma escala diferente o que a meu ver enriquecia a música, mas para o técnico não deixava a música tão pop. Na verdade ele não tinha gostado. O Oscar foi o primeiro a defender que ficasse assim e no fim o solo não foi regravado e ficou na música (apesar de que o Patrício, na mixagem, acabou deixando ele meio baixinho)

     Outro ponto crítico nesses últimos dias de gravação eram as vozes. Na quarta feira, dia 24, ficamos gravando as vozes até as duas da manhã (do dia 25, portanto). No outro dia as sete estávamos acordados já para seguir gravando. Os dias em Santa Maria estavam muito quentes. O estúdio tinha ar condicionado (por causa do equipamento) e isso foi estragando nossas vozes. E eu e o Charly estávamos o tempo todo no estúdio, pois tínhamos ficado de ajudar na produção, ouvindo a gravação dos colegas. 
     
     Sei que no final desse dia percebi que Pra quem chegar iria conseguir ir para o cd. Mas começamos a nos preocupar com a música O caminho inverso pois tínhamos que fazer um monte de vozes, e a gente (eu e o Charly) já estávamos quase sem. 
     

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

15 anos de gravação do Caminho in verso. Dia 3

24 de setembro de 1997. Terceiro dia de gravação do albúm O caminho in verso da Azul Revés. Esse dia teve bastante guitarra (manhã e tarde) e a tarde teve violão. No fim da noite foi quando gravei os primeiros teclados.
Segundo dia com gravação de guitarras, lembro do som de uma das guitarras de Não faz sentido nosso reggae metal (tinha até pedal duplo de bumbo nesse reggae) na hora da gravação, o marcinho estava tocando sentado ao lado da mesa de som (usava simulador de valvulado ou algo assim) e na hora se levantou e todos nós estávamos ouvindo (e não por fones) e a altura fez parecer que a distorção nos pressionava contra a parede. O Marcião sempre lembra de que estava deitado a tarde no alojamento (ao lado do estúdio) e acordou com o solo de Blue Nuit e se encantou.
Os violões foram gravados a maioria no início da noite, pelo Charly. A peculiaridade é que ele tocava duas vezes cada música, pois ia um violão para cada canal do estéreo, preenchendo mais a música. Como o Charly tocava violão em umas oito músicas, ele teve que tocar umas 16 vezes pelo menos. Saiu com a mão dormente também.
E no fim da noite gravei os primeiros teclados. Provavelmente Azules Revés e Pra tudo há um fim foram os primeiros, pois foram com o meu teclado. No outro dia toquei com outros, lá de amigos do pessoal do estúdio.
Até esse terceiro dia eu estava com medo de que duas músicas não conseguíssemos terminar ou gravar de uma forma decente: O mensageiro da Ilusão e Pra quem chegar. A primeira música, por causa da batida diferente da batera (pelo dedo inchado do Marcião) e a segunda porque não tínhamos um fim pra ela, o pessoal do estúdio dizia que era grande e além disso o baixo do Oscar tinha dado problema na hora de gravar (empenado). Mas no dia 25, algumas coisas se encaixaram. Mas isso é assunto para amanhã.


Abaixo, La banda y la orquesta ao vivo na FEARG, Rio Grande, julho de 2008
http://www.youtube.com/watch?v=IWihlPo2e6c

Esse vídeo faz parte de material de memória da banda Azul Revés, da cidade do Rio Grande, RS. O Azul Revés existiu de maio de 1997 a setembro de 2001. Esse show foi um reencontro comemorativo em 2008.  A única intenção do vídeo é fazer homenagem aos 15 anos de gravação do primeiro cd (O caminho in verso). Apesar da simplicidade das imagens e edição e das deficiências de áudio (tá misturado o som de câmera com o gravado da mesa), vale a pena pelo registro.